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MSST entrevista Ricardo Brazileiro

Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Vou tentar resgatar um histórico pessoal sobre minha relação com o Software Livre e posteriormente com a Cultura Digital experimental.
Meu primeiro contato com o Linux foi em 2002, na época, estava fazendo um curso técnico pra aprender a mexer com Redes e Sistemas Operacionais. Depois disso, me animei pra usar o Linux em casa e saí pra comprar o slackware numa banca de revista. Na instalação me deparei com vários problemas: não subia o X com minha placa de vídeo. Daí foram meses pra entender porquê não funcionava o vídeo. Em 2005 as coisas foram mudando: já reconhecia o vídeo mas não reconhecia meu modem 9600. Saí buscando placas de modem nos Lixo eletrônico em projetos sociais e acabei achando um que reconheceu, acho que foi o Lucent. Na época eu não tinha provedor pra testar, tentava os provedores 0800 hackeados que achava nos canais do IRC… funcionava 2 minutos e desconectava. Acho que esse inicio me fez criar um calo nos dedos e despertar uma sensação de buscar e descoberta de possibilidades no computador. Um pouco que funcionava já me deixava satisfeito. Eu sabia que tinha uma opção que pegava tudo, mas queria que meu desktop se sustentasse com aquele sistema operacional aberto. Perdi várias coisas do inicio da Internet, não funcionava nada, flash, video, som…

Ainda em 2005, aconteceu um evento em Recife chamado “lacfree”, acabei aparecendo como curioso e não sabia que iria encontrar pessoas que hoje me relaciono diariamente. Foi nesse evento que descobri que tinha um sistema operacional voltado pra multimídia, o DeMuDi. Participei da oficina de Felipe Machado e Neilton na época e levei o cd pra instalar. Rolou bonito o Fluxbox e alguns softwares como o zynaddsubfx e o pd(na época não sabia pra onde ir…) A partir disso comecei a me perder dentro desses softwares livres multimídia e comecei a produzir sample, bases, efeitos, tudo meio como banda de garagem, sem objetivo nem compromisso. Depois dessa primeira fase, acabei conhecendo o coletivo Estúdio Livre, onde vi que tinha muito mais gente nessa mesma pegada. Todo esse histórico também acabou trilhando um caminho diferente na Universidade, buscando sempre entender a prática como matriz do processo de aprendizagem.

Muito do caminho que segui tem a ver com esse histórico: dificuldade em encontrar os caminhos, prazer na descoberta e desprendimento na prática.

Meu interesse nos sistemas colaborativos são de integração dessas experiências imersivas locais e em rede para encontrar novos caminhos de desenvolvimento sustentável das ações do cotidiano.

Todas essas práticas que costurei, serviu como base para criar e pesquisar novos experiências em rede com softwares livres e entrar em contato com pessoas que tenham histórias interessantes de vida.

O hardware livre veio nessa leva, depois do Pure-Data, acabei conhecendo o Arduino e depois ví que o projeto Arduino era só mais uma das possibilidades de produção de hardware livre.

Não sei se o termo Cultura Livre resumiria essa minha experiência de vida. Talvez seja um bom termo por usar a mesma estrutura gramatical das outras ações consolidadas (software livre, hardware livre…)

estrutura

Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?

Acho que os termos e especialidades resumem muito o que a pessoa faz e o caminho que ela segue no cotidiano. Cientista, Artista, Pesquisador, Ativista, Cidadão Comum, acho que vários nomes seria mais honesto.

Os circuitos artístico emergem da necessidade de se relacionar com outras pessoas que estão produzindo outras ações e que podem se conectar de alguma forma. Acredito que quem está na produção exclusiva para aparecer em espetáculos e salas de museu está fadado a se engessar. Meu interesse nisso eu já comentei: me relacionar com outras pessoas, idéias e histórias que possam criar uma sinergia com as ações cotidianas.


O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Hoje eu vejo esse mapa padrão que a gente conhece como um decalque daquilo que não é só as linhas e formas que a gente acredita pertencer. As fronteiras hoje não são mais físicas, o fluxo de conexão se fortalece com as energias das idéias e pertencimento das coisas, seja em qualquer nível.

acumpuntura

O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

A ciência está aí para ser utilizada e hackeada. Quando penso em ciência penso em exatidão. Mas ciência não pode ser só isso, é um conjunto de possibilidades de conhecimento sobre alguma coisa. Quem tem ciência sobre uma cultura local é o próprio povo que vive aquela ciência, não aquela verdade absoluta dos livros e universidades. A ciência não pode ter apenas um fluxo, são infinitos caminhos para entender as ações, as práticas, as coisas.

O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Acredito que uma boa prática é criar conexões locais para levar toda essas experiências de produções simbólicas para lugares que tenham interesses em se convergir suas experiências e criar novas ramificações culturais a partir dessas ações. O fortalecimento da rede precisa ser em todos os níveis. Não apenas nos avatares conectados, mas nos ossos e carnes que estão ao nosso redor.

bancada

O que é MSST?

O movimento dos sem satélite é uma das experiências mais marcantes de se conectar em rede e trocar valores e saberes utilizando essas metáforas cotidianas. A tag satélite pra mim tem a ver com afeto, não apenas uma junção de ciência e provas de conceitos. Os sem satélites estão aí, no dia-a-dia, batalhando cada centavo para se sustentar nessa parafernalha burocrática e privilegiadora de superficialidades.
A marcha dos sem satélite não pára,… e o caminho sempre vai ser o da fuga.

escaleta

Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

Ainda precisaria de muito tempo pra elaborar essas perguntas.

apenas

tudo

transforma

de alguma forma

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acreditar no trabalho

transforma

continuar o trabalho

transforma

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um palito que você mexe

um chip que você dechava

um dedo que se queima

a toda hora

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cair da bicicleta...

também transforma
dealgumaforma.

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cartaz

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MSST entrevista Silia Moan

Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Faz sete anos que conheci esse outro lado. Vejo o software livre como uma dobra e as dobras por si sempre me conquistaram. Na UFPE,onde cursei Artes Plásticas, um professor de comunicação e expressão trouxe a tona a questão da troca de conhecimento e programação artistica, quando propos que nós, os carneiros estudiantes, realizassemos nossas obras a partir daquele conceito. De lá em diante foi puro amor, puro envolvimento. Seres abertos, seres pensates e incomodados estão nesse meio.

Você considera-se uma artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas parece estar interessada em ir além. Que circuitos são estes?

Acho uma tolice se colocar como artista. Eu não me considero artista, e não quero ser artista. Vejo artistas como gotas de oleo na agua. Procuro estar longe dos circuitos artisticos, pois acho altamente prejudicial. Prefiro estar entre amigos.

O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Sinto uma tristeza quando vejo nossa localização, acho que deveriamos ser pontinhos instalados nos outros países, com portas secretas e subterraneas. Já que não somos, tentamos ser, por meio do fluxo que circula entre nós. Esse fluxo é gerado por pessoas que não acreditam no conceito de identidade, afinal de contas, você é mais do que a língua que fala

gambiologia

O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

A ciência somos nós. Por meio de produções onde todos tem espaço, onde cada um com seu entendimento consegue se adequar e conhecer outras estruturas. Trabalhar nas brechas das coorporações de forma intuitiva é ir além.

O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Podemos pensar para além da internet beijos e abraços sem fim, afetos dignos de cada palavra digitada e relações que utilizam a internet como potencializador de cada pelo. Humildade para entender que não somos criadores, humildade para enxergar que não temos cria. O que é meu é seu, possibilitando que eu não tenha. Não deixe eu me apegar aquilo que começo, pois quero que você também comece, e se me apego nunca solto.Ser humano, ser bicho.


carta

O que é MSST?

Acho que é essa é a melhor pergunta até agora. MSST é um encontro. Sem Satelite somos cheios de pretensões, cheios de sonhos que nunca tem fim, pois estamos juntos. MSST é uma possibilidade, é uma brecha. MSST é uma bussola quebrada. Eu amo o MSST.

Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

O MSST .: Afinal de contas meu amigo, como você sabe o que te guia? Qual é o real motivo de você não tocar o desconhecido? Como MSST proponho que você fale todas as palavras mais chulas do universo. Vamos fazer uma sessão descarrego de madrugada? Pegue um ônibus de madrugada e encontre os amigos. Vamos fazer da angustia nossas produções? Você se considera corajoso(A)? Justifique sem pleonasmos. Aloha sempre. >

maca

MSST entrevista Lúcio de Araújo

lucio_acion

Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Apesar de eu já conhecer a filosofia do Software livre antes, foi a partir de 2005 que realmente comecei a praticá-la. Meu contato com o Software Livre partiu de uma série de ações convergentes e simultâneas, entre elas: as experimentações musicais de estúdio do grupo Matema, quando gravou o álbum SolveEtCoagula; a implementação do EmbapLab – Laboratório de Música Eletroacústica na Escola de Música e Belas Artes do Paraná; as conexões com o Cultura Digital e Estúdio Livre; e o Desafiatlux, ocupação artística realizada pelo Orquestra Organismo. Esse conjunto de ações traziam assuntos como: modos de armazenamento, publicação e circulação, licenciamento da produção, coletividade, encontro e acesso ao conhecimento de forma aberta e compartilhada. Atualmente percebo essa contribuição no sentido da transformação da minha postura frente a diversos campos como tecnologia, poder, política, subjetividade, entre outros. Tanto software livre como hardware livre estão diretamente relacionados a cultura livre. Por mais que estes termos atualmente tenham se tornado clichês, há uma essência que permanece, que produz questões, modos de tratar o conhecimento e modos de se colocar no mundo, algo para o sentido da conscientização e responsabilidade.

Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?

Essa resposta é uma tentativa para além da norma artista. Há quem diga que assumir ser um artista é engolir seco a realidade e vomitar a utopia, considerando para isso seu fardo sistema (histórias da arte, ideologias, etc.). Há quem diga que o limite e o além é o alimento e a combustão do artista. Há quem diga que o artista pode ser tudo, desde que não faça qualquer coisa. Há que diga que tudo isso pouco importa ou que a arte morreu (e com ela todos os malditos artistas). Há também os que dizem outras coisas sobre arte e artistas, sendo ou não artistas. Paradoxalmente minha reflexão sobre isso acontece através da presentificação, via percepção dos lugares e tempos, sentimentos e existência. Essa busca se processa via questões como: De que forma me permito interagir com o mundo e me relacionar com as pessoas? Como isso se manifesta?
Algo assim: Energia existente impulsiona alguma engrenagem potencial responsável de movimento.

frontera

O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Apenas para ressaltar, os mapas convencionais macro-políticos, fruto do pensamento imperialista, são materializações da concepção modernista de racionalização e controle espacial, junto a estas a noção de homem subordinado a um espaço monopolizado. Muros exemplificam a situação, terra e a água como mercadorias são eficientes formas de limitação. Esse processo pode ser exemplificado pelos Guarani, que ao exercerem seu nomadismo, na busca da terra sem mal, praticavam uma dinâmica de circulação para além das fronteiras. Por serem coletores reconheciam o desgaste que imprimiam no lugar. Quando percebiam a escassez, partiam em busca de outro território. A própria condição de nomadismo permitia ainda a eles um possível retorno posterior. Hoje não sobrou mais espaço para os guarani exercerem seu nomadismo. Acho bom pensarmos nisso, em formas de nomadismo.

nomadismo

O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

Assim como todo conhecimento, a ciência é uma forma de manifestação e poder. Ora interessante, ora absurda. Percebo algumas pessoas investindo tempo de suas vidas para entender melhor o que se passa com elas e com o meio por onde se movimentam, isto ao me ver é necessário para que a partir desses entendimentos nasçam outros impulsos, ligados a invenção de situações. Tenho me interessado pelo cotidiano, tenho tentado partir deste ponto para imaginar e quem sabe inventar.

cavernadobarao

O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Sabemos que a internet é um meio a cada dia mais controlado, mesmo assim ainda vejo uma infinidade de possibilidades de conhecer pessoas, grupos e manifestações interessantes por e através dela. Para além dela podemos pensar partindo mesmo do que já existe há muito tempo, antes mesmo de todas essas tecnologias: a disposição do homem em se relacionar. Gestos comuns são significativos. O afeto é necessário, esta é uma direção.

O que é MSST?

É um movimento que surgiu da reflexão sobre a condição de (in)subordinação política-tecnológica. Em sua prática propõe modos criativos e participativos de desalienação subjetiva. Talvez por isso não esteja sempre no mesmo lugar.

lucio_baixo

Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

Quem faz satélites? Para quais fins? Sabe algo sobre as intenções desses fabricantes? Concorda com isso? O que é possivel fazer com isso? Gostaria de participar ativamente do MSST? Como?

rotas

MSST intervista Luca Carruba

Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Sono stato sempre affascinato dai processi sociali legati alle nuove tecnologie. Ho capito molto presto che per avere una visione genrale della questione era necessario mettere le mani dentro la tecnologia, studiare la tecnica. E il software libero era quello che garantiva e garantisce l’accesso alla tecnologia.

Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas…

Non mi consideroun artista. Mi considero un libero ricercatore che sfrutta tatticamente i linguaggi artistici per porre domande e generare conflitto. Quindi in certe occasione posso spacciarmi o essere spaccito per artista.

…parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?

Quello che mi interessa è generare network di condivisione di conoscenza tecno/politica e spazi di azione collaborativa su questi temi. Un certo tipo di ambiente artistico può essere in questo senso interessante ma non ci si può fermare a questo.


O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Le mappe sono uno strumento molto potente di identificazione e categorizzazione collettiva. La mappa è un luogo di rappresentazione che non è estraneo al conflitto. L’esempio recente del ministero del turismo israeliano che cancella dalla mappa turistica la cis-giordania usando gli antichi nomi ebraici è indicativo dell’importanza di questi strumenti.
Il mio network è la mia mappa, la rappresenzazione socio/geografica dei miei spazi di azione e dei miei desideri. Le relazioni che intr4eccio risiedono in una mappa in cui non mi muovo da solo.

O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

La scienza è molte cose. Ê la curiosità messa al lavoro per la produzione del capitale. La scienza è anche linguaggio: un linguaggio comune e condiviso oltre molte barriere culturali. Lo sviluppo scientifico condiviso, dal basso e auto organizzato è un esperienza interessante per liberarsi da processi tecnologici imposti dall’alto e riappropriarsi della tecnologia che ci circonda. In questo senso MSST è molto interessante.




O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Indipendenza e autogestione tecnologica.

O que é MSST?
Ê questo. riappropriazione e autogestione della tecnologia di comunicazione. Ê scienza da “garage”. Ê il tentativo di condurre una discussione collettiva a cavallo fra continenti e di aprire uno spazio di azione e ricerca condivisio. Ê anche la manifestazione della voglia di darsi dei nuovi strumenti di comunicazione sganciati dai vecchi vincoli.

Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

Chi vogliamo che decida? Vogliamo delegare la nostra comunicazione, la nostra espressione, a qualcun’altro?

guernica_concerto from Società delle Opere on Vimeo.

What are you projects in web today? what is bugslabs? what is esterotips? Can you explain a little bit more your local context to us?

Bugslab è un hacklab, un laboratorio di informatica libera che da oltre 10 anni vive in due squat delal città di ROma, Italia. Bugslab lavora sulla condivisione di autogestione tecnologica, autogestendo i propri servizi di comunicazione (mail, chat, web etc etc). Nell’ultimo anno abbiamo anche avviato un progetto di coperazione dal basso con il comitato popolare di resistenza di Nilin, villaggio a sud di Ramallah, Palestina, a pochi passi dal muro israeliano dell’apartheid. Li abbiamo costruito un medialab ed abbiamo fatto un corso alla comunità locale su come usare il sito di informazione www.nilin-palestine.org. L’obiettivo non era/è dotarli di un sito web o di un medialab, ma di condividere autogestione tecnologica.
Estereotips invece è un’identità anonima e cangiante di produzione artistico/creativa con strumenti liberi. Ê un progetto che rappresenta una rete di persone che tatticamente si mette insieme su singole produzioni con il denominatore comune della cultura libera. I lavori di estereotips sono sepre a cavallo fra conflitto tecnologico e movimenti sociali. Non a caso il nome estereotips significa stereotipo in catalano.

msst@piksel

Can you talk a little bit about your experience with msst @ piksel festival? What do you think about the piksel festival? How it could improve?

Msst@piksel è stato molto potente. La performance in se è stato un vero caos. MI ha stimoltato molto questo flusso di comunicazione in real-time fra brasile/spagna/italia e bergen, il luogo del festival. MSST è un processo e il piksel è stato un nodo di questo processo. Il piksel è un gran festivaL in cui, caso più unico che raro, ci si focalizza solo su tecnologie libere.

Can you tell us about your experience with Hangar, Riereta and other catalunia connections?

Riereta è stato per me il paese delle meraviglie. Un luogo in cu iinterconnettersi con milioni di altri soggetti che lavoravano sulle nostre tematiche e che provenivano da tutto il mondo. Per me che venivo da ambienti di attivismo tecnologico in cui piu o meno tutti erano amministratori di sistemi linux e molto tecnici e poco creativi, conoscere riereta e l’approccio artistico all’attivismo è stato rivoluzionante. Hangar è un centro di arte e nuove tecnologie in cui si è creato uno spazio di condivisione e azione sulla tecno/cultra libera molto interessante, dandomi la possibilità concreta di sperimentare con una serie di tecnologie e discorsi. Anche telenoika.net, comunità aperta di videomakers è un luogo in cui si possono trovare stimoli molto interessanti visto la loro curiosità e apertartura non comune.

qeve

What is Qeve an how this project is going?

Qeve è un software di vjing per linux sviluppato con l’aiuto economico di Hangar e telenoika. MA prima ancora di questo è un’esperimento tanto personale qyuanto collettivo: volvevo capire quanto fosse possibile programmare un programma di editing video con strumenti liberi per una persona come me che non è un progerammatore di formazione o per professione. E inoltre mi stimolava l’idea di avviare uno sviluppo condiviso da una piccola comunità di creatori culturali che non fossero tipicamente informatici. Il progetto adesso ha cambiato nome, si chiama gemQ e ha subito un’intera riscrittura e l’inclusione nel progetto di nuove persone. Posso dire che siamo entrati nella seconda fase del progetto, ovvero quella in cui gemQ diventi un progetto totalmente collaborativo sganciato dalla mia persona. Il mio desiderio è che da qui a un anno possa abbandonare il progetto sapendo che il codice sta ancora in giro e che ci sia qualcuno a controllarlo. Un po quello che è successo con qeve all’inizio; ho continuato un progetto di vjing con tecnologie libere, EVE, sganciandolo dal suo primo creatore.

Qeve project website

I read some of your essays, can you show some of that for us? Can you talk about your expectations about your critic work?

In realtà non è che la mia produzione scritta sia poi così interessante. In generale tento di focalizzare il mio lavoro sui processi sociali legati alle nuove tecnologie senza considerare la tecnologia stessa come un fine. Credo che sia uno spazio di azione, che non è autonomo e indipendete da altri fattori sociali ma che può essere tatticamente interessante per generare conflitto. Credo che in generale il problema di molta sociologia che si occupa di nuove tecnologie è che si pieghi in un determinismo orrendo o che focalizzi solo su dinamiche utilitaristiche che non sono quelle che interessano a me. La tecnologia come spazio e non come strumento. Se poi consideriamo la creazione artistica digitale diventa allora necessario usare strumenti liberi, gli unici a garantirti libertà creativa ed espressiva. Daltronde è ormai da tempo un dato di fatto che il software non è semplice codice ma un artefatto culturale, portatore di una precisa visione del mondo, che è poi quella del suo creatore. Trovo quindi fondamentale assumersi la responsabilità di imparare come funzionano le tecnologie: tanto per garantirsi spazi di libertà quanto per leggere in tutti gli aspetti i fenomeni sociali legati alle tecnologie. Se non conosco la tecnica di una tecnologia mi sfuggiranno sempre dei pezzi. Questo è quello che trovo mancanti in molti testi di settore e che tento invece di affrontare dal mio punto di vista. Se parlo di tecnologia devo necessariamente conoscere anche la tecnica per poter capire attentamente quello che succede.
Non mi sento solo in tutto questo comunque: la storia di questo movimento è la stessa storia del movimento anabattista che nella prima metà del 1500 sconvolse il nord Europa al grido di Omnia Sunt Communia. Ê la stessa storia dei contadini inglesi del 1600 che lottavano contro l’”enclosment” dei “commons”, i pascoli comuni. O quella dei ribelli della Comune di Parigi di fine ’700. Ê la stessa che ci conduce alla fine del secolo scorso con la ribellione degli indigeni del Caapas in messico. Ê la storia del software libero. Ê la solita storia di lotta fra chi tenta di chiudere e privatizzare i beni comuni e chi invece si ribella per mantenerli aperti e accessibili a tutt@.
Todo para Todos >< Omnia Sunt Communia


You were in Brasil in 2009 meeting some collectives and MSST people. Can you talk about this experience?

L’esperienza in Brasile è stata incredibile. Attraverso diversi eventi ho avuto modo di farmi un’idea più chiara dell’attivismo digitale Brasiliano e di alcune scene artistiche ad esso collegato. Dalal PDcon09 a SAoPaulo, evento molto arti e formale, fino alla mostra alal torre Malakof di Recifi passando per il simposio su tecnologia libera all’università di San Sanlvador ho affrontato un viaggio in compagnia di persone che ben presto sono diventate per me, oltre che amiche, un network di riferimento per i miei progetti. Ho ritrovato nelle persone con cui poi ho partecipato alla costruzione di MSST la stessa determinazione e la stessa attitutidine. SI il tema centrale è l’attitudine: alla tecnologia, alla vita, ai desideri. Pur venendo da contesti molto diversi siamo riusciti a creare un layer condiviso di pratiche tecnologiche aperte. L’essersi ritrovati al Piksel con alcuni dei Brasiliani conosciuti nell’estate 2009 è stato fondamentale per rinsaldare la relazione. QUalsiasi network, per quanto digitalizzato e dislocato nello spazio, ha bisogno di vedersi e ri-conoscersi ogni tanto. Guardarsi in faccia per cogliere le differenze e le similitudini e rafforzare le azioni che collettivamente si decide di portare avanti. Per questo motivo stiamo adesso lavorando per rivederci, magari di nuovo in Brasile, entro la fine del 2010.

What questions you think MSST could ask you? How could they help you to elaborate those questions?

Credo che il punto centrale sia quali processi tecnologici possiamo elaborare collettivamente per fomentare processi di riappropriazione tecno/sociale. La metafora dei satelliti è geniale: rappresenta molto bene il problema delle società attuali nel trovare spazi di autonomia comunicativa fuori dalla colonizzazione dell’immaginario in cui siamo cresciuti. Dal’altro è msst un proposito molto interessante: l’idea di costruire un proprio sAtellite ed essere liberi di comunicare digitalmente fuori dalle grandi corporation è rivoluzionaria. Se saremo in grado di costruirlo credo che potremo morire felici e in pace qualsiasi cosa succeda dopo. :)

MSST entrevista Orlando da Silva

orlandos

Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Meu “trabalho” com software livre é #videiro. Comecei a brincar com isso tem um tempo com umas coisas que vi na Internet e um distro para newbies como eu, o Kurumim. A idéia me parecia genial. Liberdade!!! Aí foi questão de fuçar na Web e começar a ver muita coisa bacana e cada vez gostar mais. Ao mesmo tempo rolava uma agonia de querer se libertar de vez de qualquer coisa com base em Windows.

Hoje uso gnu/linux como sistema operacional e basicamente tudo que faço no micro é com software livre. Mas não estou satisfeito, quero chegar no estágio dos bits e volts na unha e ver no que dá a partir daí!!hehe

partitura

Você se considera um artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos mas parece estar interessado em ir além? Que circuitos são estes?

Para a primeira pergunta quero dizer que tenho um problema com essa conversa de ARTE. Minha origem, minhas andanças são de fluxos menos formatados que o de algumas coisas que podemos falar como mais próximos das “elites” (sem conotação pejorativa alguma) das elites culturais, ok? Vejo assim. Vejo uma coisa e tenho vontade de dizer: “Putz, bacana, isso é arte!!” Mas ao mesmo tempo me sinto inibido e ao mesmo tempo sinto que essa inibição é uma besteira. Só que como é tudo ao mesmo tempo de uma só vez, dá TILT! Eu quis ser artista de teatro. Brinquei de teatro. Não fiquei nisso, mas é o que me marca nessa conversa agora.

Para as outras duas perguntas quero dizer: “Eu vivo a Web. Preciso dizer mais?”

O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Acho que as coisas ficam relativamente claras quando direcionamos nossas atenções para pontos que identificamos como comuns. Ao mesmo tempo sempre penso na sobrecarga de informações. Quem realmente sabe do que estamos falando entre nós? Acho que nos reconhecemos por essa inquietação do “percebo que tu falas e escutas que eu falo e escuto”.

O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

ahhh, bacana essa. Tem toda uma discussão sobre a ciência contemporânea e um bocado de gente que faz a síntese dessas discussões. Gosto do que pensar a partir do penso que entendi de um cara chamado Pedro Lincoln. Ciência é abertura permanente para discussão. Ao mesmo tempo tem um outro cara, o Bruno Latour, que eu acho super pertinente a discussão que ele faz entre a Ciência e as ciências. Seguindo o Latour posso dizer que é retórica, que é associação e que é rede. Mas o “é” é complicado, ela se move, está e estabiliza certos sentidos. O que eu acho que todo mundo concorda hoje em dia é que não é conhecimento superior e nem absolutamente verdadeiro.

O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Pensar em materializações. A Internet é laço, relação, ligamento. Acho que a gente precisa materializar algumas coisas. Vejo uma turma sobre a alcunha de descentro fazendo isso de uma forma muito interessante.

As práticas não são definidas a priori, são? Surgem.

O que é MSST?

É bomba atômica de efeito maligno reverso na realidade da comunicação.

Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

“Sociedade” o que / quem é você? Como te conhecço e te sirvo? Mas acho que perguntar não resolve.

plantas

MSST entrevista Felipe Fonseca


Caderno Submidiático 7

Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste
sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo
“cultura livre”?

Eu comecei a ler sobre software livre muito antes de usar software
livre. Lá por 2000 e 2001, tava começando a tentar entender as
possibilidades de criação e inovação colaborativas entre pessoas que
se relacionavam por redes. Ao mesmo tempo em que o Hernani Dimantas me
passava umas dicas de leitura (manifesto cluetrain, hakim bey,
outros), eu ia aprendendo um pouco sobre o software livre em termos
mais conceituais. Quando resolvi tentar transformar essas ideias
colaborativas em um sistema de “gestão da inovação” (foi mal, eu
trabalhava em empresa e falava a língua delas nessa época) é que pude
ter um contato mais direto com o código aberto e livre. Instalei e
estudei o Zope. Montei uns sisteminhas toscos. Conheci um script
pronto de CMS que imitava o slashdot e outro que implementava um
“wiki”, que na época eu nem sabia o que era. Gostei daquilo, mas
achava o zope muito pesado.

Comecei a brincar com scripts livres que rodavam em PHP: phpnuke,
postnuke, b2, nucleus e outros. Em 2002 com o projeto Metá:Fora e a
necessidade de fazer um site pra organizar informação, configurei um
phpwiki e isso foi o começo de uma história longa que entre outras
coisas desembocou na MetaReciclagem.

Quando montamos o primeiro laboratório de MetaReciclagem, no começo de
2003, é que comecei a usar software livre como meu sistema operacional
principal, e aprendi um monte observando a galera usar. Faz tempo que
não sinto falta de sistemas proprietários no dia a dia. Na prática, eu
uso bastante software livre, mas não sou um programador – no máximo eu
copicolo umas coisas, mas no geral sou só um usuário fuçador.

Hardware livre eu acho interessante por um monte de meta-motivos – não
necessariamente pelo hardware em si, mas pelas possibilidades de
aprendizado e inovação distribuída que ele abre. Acho que tem muitos
caminhos aí que questionam uma certa centralização e um certo
encapsulamento da ideia de inovação – uma crítica ao complexo
industrial que afirma que essa inovação e esa criatividade só podem
acontecer nas etapas iniciais da cadeia de produção. Imagino que vai
haver (já está havendo?) um ponto em que parte da indústria vai se
apropriar dessas ideias e conceitos, e passar a fabricar produtos que
já incorporem essa indeterminação. Outra parte da indústria parte para
o caminho contrário – controlando ao máximo, coibindo a
ressignificação e a apropriação. Não sei bem o que acontece depois,
mas nesse cenário a parte da indústria que parte para a abertura é bem
melhor do que a outra. Fica a pergunta de como a gente – e quem é esse
“a gente” é ainda outra questão – se relaciona com essa indústria que
busca a abertura. Vamos combater? Vamos ajudar? Vamos nos vender? Eles
pelo menos sabem que a gente existe?

A cultura livre ainda ficou na promessa. Tem uma possibilidade de
dinamizar esquemas de criação e produção muito mais profundos, mas a
galera ainda tem medo de liberar os materiais brutos, as referências,
os insights. Ficam só nessa onda de liberar material pronto, e isso
não é liberdade de verdade – é muito mais uma estratégia de divulgação
em tempos de hiperconexão. Mas de todo modo, esse hype tem pelo menos
o crédito de ter questionado o mito do autor renascentista, do gênio
que se isola, cria e fica rico com isso. Isso pode ser impressão minha
à medida que o tempo passa, mas quero acreditar que hoje em dia a
molecada com banda tá menos preocupada em assinar contrato com
gravadora e ficar milionária. Não sei bem, o que tu pensa disso?

Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos
artísticos, mas parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?

Não me considero um artista, mas de maneira geral sufixos como -ista,
-eiro, -or são uma coisa que eu não sou de usar muito. Eu já quis ser
- talvez nessa ordem – guitarrista, engenheiro de som, fotógrafo,
videomaker, animador, diretor de arte, diretor de criação, redator,
webdesigner, consultor, escritor e outras coisas. Lá pelos 22 eu parei
com essa ideia de querer ser alguma coisa.

Mas a arte é uma coisa que passou longe da minha formação, e uma ideia
com a qual eu só passei a me relacionar há poucos anos. No começo da
MetaReciclagem, eu tinha um pé atrás com “a arte” porque não entendia
muito a relevância dela. Hoje entendo que, se existe um abismo entre
os circuitos artísticos e o mundo lá fora, também existe um grande
potencial para costurar possibilidades efetivas de construção de
conhecimento, formação de imaginário, exploração simbólica e
transformação de consciências através de pontes entre a arte, o
ativismo e os projetos sociais.

Os circuitos com os quais eu quero trabalhar na verdade ainda estão
sendo criados. São essas pontes, hoje mais possíveis com o enredamento
de tudo, que exigem uma grande flexibilidade e uma grande disposição
para o diálogo, mas que têm o potencial de dar maior aprofundamento
para uns e maior penetração para outros.

O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível
identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e
fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Nós quem? Conhecer é um processo de um a um – existem, claro, indícios
e sinalizações, mas a ideia de “mapa” supõe uma objetividade que não
acho que sirva pra esses encontros e reconhecimentos. Mapas são coisas
muito mais simples e limitadas. Também – se o mapa é o produto da
cartografia, o que é que geram os descartógrafos? Eles precisam gerar
alguma coisa?

O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e
lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos
interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de
subjetividades?

A ciência é um leque gigantesco – vai desde gerar inovação para o
complexo industrial-militar, desenvolver tecnologias para melhorar a
vida e diminuir o impacto humano no planeta, até a aplicação de
metodologias para gerar e compartilhar conhecimento para diferentes
problemas. A ciência em geral não vai ir além dessas limitações,
porque ela não é um corpo homogêneo. O que acho interessante, seguindo
o tema do próximo interactivos que acontece mês que vem em Madrid, é
pensar em como essas práticas que vêm aí do hardware livre, do
software livre, podem influenciar no movimento que tá rolando, da
migração da “ciência de garagem” para a “ciência de bairro”. Em outras
palavras, talvez o que a gente tem feito por essas bandas possa ajudar
a transformar o imaginário desde um modelo de inovação no espaço
particular – muitas vezes motivada pela mitologia do sucesso na
sociedade do consumo – para um modelo de inovação no espaço público, e
voltada para solucionar problemáticas desse espaço público. Se trata
inclusive de repensar a própria ideia de espaço público, que nas
grandes cidades do Brasil e do mundo não é tão público assim.

O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam
estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de
redes e criadoras nas redes?

As redes são muito anteriores à internet. A gente tem visto a internet
dar muito mais força para redes que já existiam, e isso em si já é uma
vitória – até uns seis anos atrás, essas redes paralelas eram coibidas
em projetos públicos de inclusão digital, hoje são incentivadas. Isso
é sinal de uma transformação mais profunda, talvez de um
desaparecimento total das fontes “confiáveis” de informação. Isso tem
consequëncias positivas e negativas. Agora, que tipo de práticas? Acho
que a gente já tem feito muitas delas, com tanta conversa online sobre
conversa online, com essa entrevista, com os encontros & debates. Mais
gente tem que participar, mas aí é como lá em cima – vai chegando 1 de
cada vez.

O que é MSST?

Ainda tô tentando entender, como todo mundo.

Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

Que parte da sociedade?

O que é MetaReciclagem? from luarembepe on Vimeo.

MSST entrevista Vilson Vieira

imersão 2010 ~ jam from Vilson Vieira on Vimeo.

1) Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Deveria ter uns 12 ou 13 anos quando comecei a me interessar pela cena de (in)segurança. Passava as madrugadas atrás de bugs, em salas de IRC, lendo zines. Foi em uma dessas madrugadas que conheci o Linux. Em outra, conheci o Debian, o pessoal do Debian-BR, e de lá para cá procurei formas de contribuir. Trabalhei no Debian-BR-CDD (atual BrDesktop), no CL-Weblocks (um framework para desenvolvimento Web escrito em Common Lisp) e em outros projetos envolvendo a linguagem de programação Lisp.

Desde àquelas primeiras madrugadas até hoje, todos os projetos que participo, têm uma ligação com o movimento de software livre/código aberto. Meu interesse neste movimento é tanto técnico quanto cultural. Desenvolver tecnologia é algo que não pode ser feito por pessoas em seus cubículos, isoladas. Deve haver sim um desenvolvimento individual, mas esse desenvolvimento não é nada sem a colaboração. Tecnologia que não é compartilhada é tecnologia morta. Culturalmente, acho incrível e gosto de explorar a relação que essa rede de compartilhamento proporciona às pessoas. O código está exposto, os desenvolvedores estão sempre dispostos a ouvir, ajudar e aceitar sua colaboração. Com este arranjo, não se mede mais o indivíduo pelo seu currículo ou posição social, mas pelo seu mérito. Todos têm oportunidades iguais.

Conheci o hardware livre em uma Latinoware, onde Paulo Gonçalves, Danilo César, Eloir, estavam dando uma oficina. Comprei junto com Alan Fachini uma placa Arduino e em algumas horas estávamos construindo os primeiros circuitos. Incrível! Criamos o MuSA com o objetivo de pesquisar e experimentar todo o tipo de flerte entre a computação e as artes. O hardware livre está localizado no centro desse contexto. Estamos ainda nos primórdios desse movimento. Ainda não temos hardware 100% livre. O microcontrolador ATMEGA usado nas placas Arduino é fechado. Porém, já estão aparecendo os primeiros microcontroladores livres [1]. Etienne Delacroix está trabalhando em um microprocessador livre também. É importante lembrar que mesmo o GNU não tem um kernel 100% funcional, e estamos sempre a mercê de fabricantes de hardware e sua relutância em disponibilizar drivers de dispositivos. Acredito que devemos discutir formas de alcançar essa liberdade de hardware, assim como fizemos para o software. Logo estaremos construindo nossos processadores, nossos celulares, nossos satélites, imprimindo objetos em impressoras 3D e órgão humanos em bioimpressoras.

A cultura livre é produto e meio desses movimentos de liberdade de software e hardware. Software livre é, acima de tudo, política, cultura. O grande trunfo são as pessoas, sem elas não há uso nem desenvolvimento de software/hardware. Se tirarmos o software e o hardware a cultura continua. Essa rede social colaborativa não pode mais ser desfeita.

2) Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas
parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?

Me considero um artista tanto quanto me considero músico, programador, ser humano, organismo, amontoado de células. Estou começando agora com tudo isso, mas acho rícula essa santificação criada em torno do artista. Qualquer um pode sentir, criar, experimentar. Acho muito engraçado artistas multimídia que têm pavor de código-fonte, que contratam programadores. Podemos dividir um projeto artístico em iluminação e mão-de-obra? O ser iluminado do artista tem a inspiração divina e usa a mão-de-obra de alguns técnocratas para desenvolver o trabalho, com contrato e data de entrega. Como se pode criar sem experimentação?! Porque ter medo de algo que é meio e matéria de sua obra?!

Acho incrível como redes como devolts, des).(centro, Metareciclagem, CMI, se relacionam. São nessas redes que encontro verdadeiros fazedores, pensadores, fuçadores, hackers, artistas. Sinto que em muitos outros circuitos, embora esteja chegando agora e conheça muito pouco desse mundo, exista uma elitização, uma maquilagem. Muito classicismo. Arte em caixinha. Mas também meios de se fazer um grande hack.

3) O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

A localização nos mapas não faz sentido. Estou aqui realmente? Com um laptop no colo, escrevendo um email em um software rodando em um servidor na América do Norte, vendo páginas hospedadas em mais outros tantos países. Desde muito tempo não temos mais nacionalidade. Somos produto de um meio em constante mudança territorial, seja ela real ou não. A minha localização depende de um satélite. É ele quem diz onde estou. Nem eu mesmo sei em qual latitude e longitude me encontro.

Só é possível identificar esse fluxo comum! Não sei quem são meus vizinhos, mas conheço os que querem algo próximo do que quero. Nos reconhecemos na colaboração. Na busca por algo comum. Não precisamos de bandeiras. Precisamos escrever a mensagem, passá-la adiante e receber outras mais.

4) O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

É ferramenta e religião. Religião bastante sincera se comparada às demais. Busca questionar. Rebelde mas com método. Imperfeita, geralmente trampolim para acadêmicos. Por causa dela, de fazedores, de hackers, é que temos a possibilidade de nos erguer e dizer: “não há barreira!”. Como filhos dessa ciência podemos construir nossas redes. Não precisamos de corporações. Ou ainda, podemos usá-las, nos apropriando de maneira alternativa de suas estruturas. Podemos unir nossos transmissores, criar repetidores, criar nosso hardware, desenvolver nosso software, aprender uns com os outros, criar nossa Internet, e fazer disso a grande mensagem a ser transmitida: junte-se nessa rede, desligue-se do que você era, crie, faça, construa, sustente-se a si mesmo e a todos.

5) O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Podemos construir redes alternativas à Internet, auto-sustentáveis, nômades, sem a benção de corporações. Áreas livres. Não só redes virtuais, mas físicas. Espaços de troca e experimentação. Hacklabs. Hacker Spaces. Oficinas. Laboratórios. Coletivos.

6) O que é MSST?

Fazedores, curiosos, artistas, hackers, pessoas que perguntam: “cadê o meu satélite?!”. Aqueles que desejam entender o que é um satélite e para quê precisamos de um. Que querem construir o seu próprio, querem descubrir como lançá-lo, seja ele no espaço ou na vila. Querem um satélite, mas não podem tê-lo ainda, já, agora. Então o que fazer? Esperar até que possamos alugar um foguete e jogá-lo no vácuo espacial?! Conectar em um satélite corporativo/governamental qualquer e usá-lo?! Promover a reforma agrária espacial?! Criar satélites horizontais, repetindo mensagens com rádios AM/FM, com espelhos, fumaça, pombos, código morse, [lata]—-fio—-[lata]?! Cobaias que querem ser astronautas, cansadas de serem condicionadas às latitudes e longitudes de shopping centers e lojas departamentais.

7) Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

O que é um satélite para você? Você precisa de um? De quem são os satélites que existem hoje? Porque eles têm tantos e nós não temos nenhum? Como podemos construir o nosso satélite? Para quê usaríamos ele? Qual deverá ser a primeira cobaia a ir para o espaço?


Vilson Vieira

vilson@void.cc

((( http://automata.cc )))

((( http://musa.cc )))

[1] http://www.gadgetfactory.net/gf/project/avr_core

florianopolis

MSST entrevista Renato Fabbri

pdcon emotional kernel panic

1) Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste
sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo
“cultura livre”?

Era um final de ano em que estava me infurnando, estudando
diversidades em música e tecnologia, acabei por conta entrando em
contato com Linux e puredata. Em menos de uma semana estava com um
computador sem rede rodando Fedora 3 e os vários programas do pacote
Planet CCRMA (já tinha fedora 5 ou 6, eu que estava perdido ainda),
tentando aprender bash para colaborar em um projeto de síntese
distribuída de imagens e sons.

O sistema colaborativo permite que façamos parte de mais atividades
sem nos sobrecarregar. Permite que tenhamos uma dinâmica de troca mais
efetiva e menos bitolada. Também é uma forma de manter nosso ambiente
de trabalho mais saudável. Da mesma forma também colabora para uma
certa higiene mental, já que o individualismo foi-nos martelado tanto
desde nossos nascimentos até o dia de hoje.

Acho que o hardware livre está nos permitindo os primeiros
engatinhamentos para desfazer a dependencia total que temos de grandes
empresas e de poucos especialistas para o caso de querermos utilizar
praticamente qualquer tecnologia de circuitaria eletrônica. Também
permite nos qualificarmos para construir dispositivos. EED (Entrega,
Ensina, Desmistifica).

O termo “cultura livre” virou ícone das aspirações desta II revolução
francesa que estamos passando, levantando os ideais de liberdade,
igualdade e fraternidade. Só que desta vez o baguiu é loco dimais. Há
um consenso silencioso de que mais do que um rearranjo das estruturas
sociais em defesa de uma classe dominante, estamos podendo nos
representar e organizar, procurar nossos interesses e ficarmos *menos*
sujeitos ao mote contínuo da propaganda. Isso, unido ao reconhecido
aumento da circulação das mídias nos leva à idéia da cultura livre.
Acho um termo bom e apropriado. Como dizem, “e é que é por isso é que
recupito sarrupita”.

2) Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos
artísticos, mas parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?

Considero você um artista. Eu também. Este fetichismo quanto às artes,
quanto à figura do artista é, como diria Giowani Guimarolzzo, “SE NÃO
TÁ ESTRAGADO O BAGUIU É TÁ RUIM” (Decannet n3). Na verdade, todo este
fetichismo quanto ao profissional (em qualquer área) é muito negativo.
É bom que gostemos de nos dedicar a atividades úteis e interessantes,
mas bem.. Na renascença a família Médici em Florença que começou com
essa de mitificar o artista. Os comerciantes nem gostaram não,
imagina, elevar o produto que eles comercializavam à categoria de
sublime quase divino nem deu lucro não… E ainda estamos nessa até
hoje.

Os “circuitos” da conquista da realidade, do eu, e da expressão humana.

3) O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível
identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e
fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Se eu gosto de colecionar femor de cavalo, podemos montar uma
sociedade dos colecionadores de femor de cavalo e esta só vai ter
representatividade e alguma possibilidade de ação se tiver dimensões
além fronteiras nacionais.

Reconhecemos-nos pelos nossos interesse e nossas posturas. Citação em
ordem correta de ocorrência e inversa de importância.

4) O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e
lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos
interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de
subjetividades?

Ciência hoje? É uma revista eu acho, ouvi falar. Mas também é uma
forma de bruxaria poderosa, que, para funcionar, precisa de crença e
esta, para ser forte, tende a abolir outras formas de entender a
realidade. Isso, claro, segundo os escritos de Frotto Josias. Também é
uma indústria. Também é um eixo de organização social e política,
principalmente através da academia. Por fim, entendo que seja um canal
eficiente de troca de conhecimentos. Tem mais coisa, mas é isso aí.

Em qualquer departamento, para dominuir os interesses geopolíticos e
corporativos, a solução é descentralizar.

5) O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam
estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de
redes e criadoras nas redes?

Coletivos com ações em pessoa com fins materiais, como as comunidades,
as vilas etc. Também está sendo cogitado com alguma frequencia a
criação de espaços de imersão para aprendizado e criação. (uma
inclusive envolvia a idéia de ocupar um vagão de um trem e viajar
pelas estradas de ferro criando e apresentando quando possível).

Quato às praticas que poderiam nos ajudar a entender nossa atuação
como criadores.. Além de catar milho com propostas puntuais, sugiro
rodar até ficar zonzo, ou ficar em meditação, ou jejuar, ou mesmo
fazer uso de algum cipó e alguma folha. Uma dos mais importantes
desenvolvimentos culturais da atualidade, imho, é a quebra do tabu
quanto à alteração de consciência. Pois isso nos ensina sim e o que
lesa é o medo (grande parte dos gregos viam na coragem a maior das
virtudes), o problema é a falta de instrução para fazer uso destes
estados, o que leva as pessoas a fazerem de qualquer jeito, no caso a
se intupirem de substâncias psicoativas sem arrazoar nem tentar
propositadamente alcançar algum entendimento. Esta é minha dica para
estimular praticamente qualquer melhor entendimento, inclusive a de
nossa condição atual de criadores de redes. Também posso propor grupos
de discussão, mas eu tenho um nome a zelar.

6) O que é MSST?

Movimento dos Sem Satélites é um mote e movimento colaborativo que
propões vivências e ações com vistas à apropriação das tecnologias e
da tomada de consciência de nossa condição como meros consumidores.
Tem mais coisa, mas pra mim é isso ao menos por hora.

7) Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

Cadê nosso satélite?? De quem é cada satélite do qual precisamos fazer
uso diáriamente? Se estas coisas são de uso coletivo ou do próprio
governo, porque não temos tudo aberto, desde os componentes até
informações sobre o fluxo de dados. Que tal você se apropriar das
tecnologias que puder e auxiliar a emancipação tecnológica dos grupos
sociais em relação às fantasmagóricas empresas e pessoas que ninguém
nunca viu.

_o_o_ oOo _o_o_

MSST entrevista Octavio Camargo

1) Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Começou através da amizade com o glerm (você), de parcerias artisticas desenvolvidas com a orquestra organismo e de tentativas de colaborações com a escola de belas artes do paraná no objetivo de criar um laboratorio de musica computacional para o curso de composição e regencia

2)Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?

Eu mesmo não me considero artista, mas não recuso o apelido e as perspectivas de trabalho que esta inscrição permite. Quero ir além sempre, desde que não seja muito longe…


3) O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Atilio Borio, 603 – Curitiba, Paraná. A casa ta aberta e não olho passaporte

4) O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

Não acredito que a ciência possa de fato ir além de todas essas coisas que você citou, mas ela pode pretender. Vejo essa busca como uma utopia necessária, como um principio de navegação no planeta

5) O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Encontrei o Balbino por acaso em Salvador. Isso foi fora da internet e sem satélite.

6) O que é MSST?

MOVIMENTO DOS SEM SATÉLITE

7) Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

Você pode guardar um segredo? até quando?

MSST entrevista Giordani Maia

TCAS

1) Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Na verdade meu trabalho não lida com o software livre, no entanto
tenho muito interesse (e simpatia) pela questão. Quanto ao termo
cultura livre, está dentro de muita de minhas propostas. A questão é
bastante extensa, já que o termo Cultura é muito vasto. No ponto em
questão, vejo o acesso livre a internet e a possibilidade de
construção de redes de troca: textos, videos, idéias, projetos, novas
formas de pensar a rede, enfim, infinitas possibilidades de se pensar
e criar novas subjetividades. Acho significativo!

2) Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas
parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?

Já me considerei um artista, hoje me considero um “artista”. Meu
trabalho lida com a idéia de circuitos (não apenas circuito), tento
pensar em estratégias que podem até partir do circuito da arte (não
pensando em instituição, mas em minha formação), mas transitam por
vários outros tipos de circuitos. Várias redes de troca, apreensão e
negociação (humanas principalmente).

3) O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Essa é uma questão complexa, penso nossa localização dentro de uma
certa ambiguidade, ou seja, na tentativa de não ser mapeado mas ao
mesmo tempo tentando estender essa cartografia a novos fluxos que
formarão outros traçados. Acho que podemos nos reconhecer através de
estratégias de rede (como essa por exemplo), enfim desenvolvendo
“ferramentas” que vão além das redes sociais existentes, algo que crie
estímulos de trocas realmente transformadoras. Acho o Coro um exemplo
interessante

http://corocoletivo.ning.com/

4) O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

prefiro pensar melhor essa questão e responder separadamente.

5) O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Não sei se vou sair da pergunta, mas observo todos os dias nas ruas
de minha cidade (RJ) um numero cada vez maior de vendedores ambulantes
de software, jogos e vários outros produtos tecnológicos. Deixando de
lado a questão moralista (e até mesmo de contravenção, crime etc), o
fato é que esses camelôs e suas piratarias acabam por diminuir
distâncias, a própria indústria acaba lucrando com isso, pois o que
adianta comprar o computador se vc não tem os programas? e os
programas são caros!
Vc já viu esses jogos tipo GTA onde eles colocam esses pacotes com
mud, e ai vc tem favela, funck e várias outras coisas que não estavam
na programação original do jogo, pode até parecer bobeira, mas pra
mim, conceitualmente falando, é uma operação de “tradução” cultural
bem interessante. Agora pense em barracas e barracas de camelôs
vendendo a preços bem acessíveis programas de códigos abertos, e mais,
aproveitando esses espaços como locais (camelôs-base educacionais
digitais) de pequenas oficinas, cursos e debates abertos a população,
no sentido de tornar ainda mais ampla a questão e desmistificar certos
mitos. Mais uma coisa, o camelô não seria deixado de lado, não vale de
nada entrar no espaço dele para competir (e tirar sua fonte de renda),
acho que o ponto alto disso seria traze-los para o nosso lado,
inclusive no sentido de terem acesso a esse tipo de conhecimento.

6) O que é MSST?
estou tendando entender melhor o projeto, mas acho bem interessante.