MSST entrevista Giordani Maia

1) Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?
Na verdade meu trabalho não lida com o software livre, no entanto
tenho muito interesse (e simpatia) pela questão. Quanto ao termo
cultura livre, está dentro de muita de minhas propostas. A questão é
bastante extensa, já que o termo Cultura é muito vasto. No ponto em
questão, vejo o acesso livre a internet e a possibilidade de
construção de redes de troca: textos, videos, idéias, projetos, novas
formas de pensar a rede, enfim, infinitas possibilidades de se pensar
e criar novas subjetividades. Acho significativo!
2) Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas
parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?
Já me considerei um artista, hoje me considero um “artista”. Meu
trabalho lida com a idéia de circuitos (não apenas circuito), tento
pensar em estratégias que podem até partir do circuito da arte (não
pensando em instituição, mas em minha formação), mas transitam por
vários outros tipos de circuitos. Várias redes de troca, apreensão e
negociação (humanas principalmente).
3) O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?
Essa é uma questão complexa, penso nossa localização dentro de uma
certa ambiguidade, ou seja, na tentativa de não ser mapeado mas ao
mesmo tempo tentando estender essa cartografia a novos fluxos que
formarão outros traçados. Acho que podemos nos reconhecer através de
estratégias de rede (como essa por exemplo), enfim desenvolvendo
“ferramentas” que vão além das redes sociais existentes, algo que crie
estímulos de trocas realmente transformadoras. Acho o Coro um exemplo
interessante
http://corocoletivo.ning.com/
4) O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?
prefiro pensar melhor essa questão e responder separadamente.
5) O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?
Não sei se vou sair da pergunta, mas observo todos os dias nas ruas
de minha cidade (RJ) um numero cada vez maior de vendedores ambulantes
de software, jogos e vários outros produtos tecnológicos. Deixando de
lado a questão moralista (e até mesmo de contravenção, crime etc), o
fato é que esses camelôs e suas piratarias acabam por diminuir
distâncias, a própria indústria acaba lucrando com isso, pois o que
adianta comprar o computador se vc não tem os programas? e os
programas são caros!
Vc já viu esses jogos tipo GTA onde eles colocam esses pacotes com
mud, e ai vc tem favela, funck e várias outras coisas que não estavam
na programação original do jogo, pode até parecer bobeira, mas pra
mim, conceitualmente falando, é uma operação de “tradução” cultural
bem interessante. Agora pense em barracas e barracas de camelôs
vendendo a preços bem acessíveis programas de códigos abertos, e mais,
aproveitando esses espaços como locais (camelôs-base educacionais
digitais) de pequenas oficinas, cursos e debates abertos a população,
no sentido de tornar ainda mais ampla a questão e desmistificar certos
mitos. Mais uma coisa, o camelô não seria deixado de lado, não vale de
nada entrar no espaço dele para competir (e tirar sua fonte de renda),
acho que o ponto alto disso seria traze-los para o nosso lado,
inclusive no sentido de terem acesso a esse tipo de conhecimento.
6) O que é MSST?
estou tendando entender melhor o projeto, mas acho bem interessante.