Futuro do Presente Tenso
Numa postura atrofiadora das costas e destruidora de tendões eu digitava com aquele teclado no colo logo depois de ler sobre um sussuro que um amigo teria dado num daqueles milhares de eventos que aconteciam pra tentar definir políticas públicas para as novas mídias dentro do território que eu habitava. Vários termos já haviam sido cooptados apesar de ainda resistirem como gíria em alguns guetos: “metareciclagem”, “gambiarra”, “submidialogia”, “hacker”, “digital”… Claramente uma nova ordem econômica estava em jogo e a cotação do Real flutava naquelas telas, a cada nova mensagem postada em redes sociais e listas de discussão e o entreato de alguem sacar, gastar, ganhar ou depositar dinheiro no banco era pura informação gerando ação cotando informação, um círculo em espiral que no limite toca tangencialmente o inicio de uma outra espiral em outro eixo de desejos, fome, prazer e dor . Meu amigo sussurava “contraculturadigital” como um novo mantra por vir, e eu novamente pensava – se a contracultura da cultura “não-digital” não foi capaz de nos localizar como terra cultivada e cultivável, considerando que essa é uma palavra latina que perdura por dentro desta língua aqui articulada como afirmação de continuar a “cuidar da terra”…pergunte: Que terra? Mapas e mapas, letras e textos tentando traduzir pensamentos, e nós aqui, tentando superar o alfabeto latino. Cultura ou Contra-Cultura ainda não foi capaz de superar o status civilizador e opressor desta como matriz sintética de uma identidade artificial construída por uma elite que procura dominar o colheita desta lavoura, deste lavoro, deste labor. Desejo, fome, prazer e dor. Ansiedade. Pertencer a uma Cultura? Pertencer ao Digital? Inclusão no digital ou do digital na cultura da lavoura? Cultivo do território digital? Desterritorialização do digital para fora da sua digitalização. Conversão Digital-Análogico. Transformação de linguagem em energia. Analogia.
Novo Parágrafo? Pula uma Linha? Ou Duas? Dois dígitos são suficientes pra construir nossa linguagem. Oráculo do momento. Tecle enter.
Meu amigo me disse – ei vamos guardar isso para uma provocação mais eloqüente a uma suposta elite que constrói termos para esta suposta cultura que na verdade é o cercadinho de mais uma lavoura! Mas ei, já existe um tubérculo cultivável ali, uma raiz amarga, crescendo como praga, sub sub cultura fértil, contra cultivo, consumo imediato, anti-economia de especulação de estoque, ao alcance das mãos, caçadores coletores, circulando num buraco sem fundo do efeito colateral do adubo ,sem formas fixas e sem acumular nossa valia++, surplus+value, 剩余价值 .Você vai continuar articulando este alfabeto latino? Gutemberg e suas bíblias, ei digital, olha eu aqui em papel impresso, agora favor me esculpir em bronze, deixemos então pra depois a contracultura da digital matriz de mistérios, ministérios, surfando o livre-mercado das livrarias, editoras e aqueles cafés de shopping. Alô, sebos camaradas, digitalizai toda samizdat comida por traças, dicionários perdidos para novas rotas. Ei amizade, tem algo mais eloqüente do que fumar agora mesmo essa página de livro, com aquele fumo que você viu nascer? Uma baforada na minha cara, na dela, na dele, nessa nossa cara, obviamente nossa, construída sem um codex de textos canônicos, dum folclore pária e sem povo massificadamente aculturado por um cultivo de identidade de massa, mas um repertório de códigos que mantiveram a rede aberta e o verbo solto apesar de flamejante.
(continua…impresso!…impressões:)
Ok. Você não me fumou. Não me consumiu. Um bom começo. Uma idéia pra um fim. Fim da nossa cultura. Início de uma nova lavoura. Pra que continuar escrevendo? Mais páginas, mais laudas? Nessa parte você me diz quantas. Gambiarras de outra Submidialogia. Submidiasofias. Submidiarragia. Quantos Lances de Dados.
for (;;;)
{
/* além desse comentario, iremos inserir algo mais relacionado com esta sua ansiedade de criar, manter e mimar mundos – idéias não são perigosas até que se tornem ações – e todas ações são potencialmente perigosas – responder seria agir */
}
about 6 months ago
Respondo quase que no instante seguinte, na pilha das ações perigosas. Pra quem? Eu mesmo refém da minha escrita. Etno-emotividades tem espaço nesse mundo de estratégias camuflantes? Quem aparece e quem não aparece? Quem já aprendeu a falar pouco, apenas o essencial, de forma muito bem pensada? Quem já construiu marca? Quem a marca construiu?
about 6 months ago
Tão longe chego o gênio irrequieto e ambicioso dos “europeos”…dá mas outra volta de caracol, sempre impaciente para empregar os novos instrumentos do seu poderio..
que agora nem tão só podemos chamar eles de europeus..
Então, intentando não mijar afora do vaso…
algum dia escutei a ideia de que quando o mundo foi representado por primeira veis num mapa foi quando por primeira veis o homem resolveu matar a o mundo. Uma vida em constante evolução, transformação deixo de existir; fixada para sempre no papel.
O por lo menos essa devia ser a percepção dos homens daquela época. Já agora a gente interiorizamos e sentimos o mapa como uma representação da terra. Mas qual foi a necessidade dessa representação?Não será tal vez o desejo de uma elite de impor a sua visão sobre outra. Não será uma tentativa de dominação legitimada e legitimadora do imperialismo ocidental. Organizar e definir uma realidade percebida externamente a nós. Ações básicas pra não cair no abismo das nossas mentes. “Erguer uma ordem internacional antes de que a crise a imponha como uma necessidade”. Isso acontece constantemente como por exemplo naqueles eventos que o nosso amigo, doente pela postura o cadeira errada, esculpiu no seu texto agitador. Oi amigo vou te dar um conselho veja se acha por alli um óleo de copaíba o juventa pra substituir e deixar a sua artrite por alli.
Que terra pergunto também; aquila que já nós matamos o bem aquila que seguimos percebendo viva porque ainda não invadida, escondida num lugar adentro de nós.
Ali onde tem espaço pra a etno-emotividade brota a lavoura e cria as nossas mensagens. E se não regar? No instante vai secar mas de alguma forma vai carecer de novo em outro querer; porque as ervas danhinas por quanto o homem intenta destruir-as são as que mas perduram no tempo. Até outra volta de caracol. Vamos cuidar a nossa lavoura e sentir o prazeroso sentido das ilusões.
Não sei aonde vai tudo isso mas é a base.
http://cesira.botiq.org/foto-storie/ctrlc-ctrlv/