(“The cartographed” – in response to “The Cartographer”)

Eu sou o cartografado. Sou analfabeto em teu idioma. Não tenho passaporte em tua fronteira.
I just can imitate sounds of your accent or look for some pactual “lingua franca”. Mas eu não posso entender nuances enraizadas nas memórias de suas primeiras impressões sobre o Mundo.
Teu Mundo?
Meu Mundo?
Nossa fronteira do entendimento do espaço. Você lança os mapas, mas eu os traduzo – e na tradução deixo pistas da rota de fuga.
Deixo pistas como aquele absurdo no sonho que te mostra por onde acordar ou por onde cair em coma mais profundo.
O Mundo deles que ficaram de fora desta nova fronteira, tentando mapear-nos aqui. E você aqui entre eles e nós.
Na fresta de um dicionário. E como numa dança ensaiada ela me traduz – Tua lingua materna me seduz. Tuas canções de ninar.
E você me convida para uma caminhada, passo à passo onde medimos forças de uma geopolítica que não nos pensa,
apenas nos desenha sem sentido nestes coloridos mapas, heráldicas e hinos. Mapas deles.
Uma palavra que sopro te foge, limita teu vocabulário nas tuas crenças sobre a História que te contaram sobre o novo mundo que o velho criara.
Eu profano tua terra sagrada convidado-te a matar tua língua pátria e ofereço-te o incesto com esta nova gramática, que quebra e racha aquele solo, fazendo nascer o ritmo que não pode ser partiturado. Um nome indestrutível para aquele disputado chão. Uma palavra de outro léxico te seduz e te convida a ser cantada. Traga rápido tua tradução para escala 1:1 neste teu alfabeto geométrico, no limite de dígitos deste mais moderno GPS.
E se as bombas cairem sobre nossas cabeças, obdecendo coordenadas que inevitavelmente e inconscientemente você rabiscou em teus mapas – já teremos ido embora no último instante, agarrados na última palavra inteligível, um ponto fora da legenda. Um ruído que assobiava para o cartógrafo não mais como uma fronteira, mas como o sentido original e completo do nome deste lugar aqui.