Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Vou tentar resgatar um histórico pessoal sobre minha relação com o Software Livre e posteriormente com a Cultura Digital experimental.
Meu primeiro contato com o Linux foi em 2002, na época, estava fazendo um curso técnico pra aprender a mexer com Redes e Sistemas Operacionais. Depois disso, me animei pra usar o Linux em casa e saí pra comprar o slackware numa banca de revista. Na instalação me deparei com vários problemas: não subia o X com minha placa de vídeo. Daí foram meses pra entender porquê não funcionava o vídeo. Em 2005 as coisas foram mudando: já reconhecia o vídeo mas não reconhecia meu modem 9600. Saí buscando placas de modem nos Lixo eletrônico em projetos sociais e acabei achando um que reconheceu, acho que foi o Lucent. Na época eu não tinha provedor pra testar, tentava os provedores 0800 hackeados que achava nos canais do IRC… funcionava 2 minutos e desconectava. Acho que esse inicio me fez criar um calo nos dedos e despertar uma sensação de buscar e descoberta de possibilidades no computador. Um pouco que funcionava já me deixava satisfeito. Eu sabia que tinha uma opção que pegava tudo, mas queria que meu desktop se sustentasse com aquele sistema operacional aberto. Perdi várias coisas do inicio da Internet, não funcionava nada, flash, video, som…

Ainda em 2005, aconteceu um evento em Recife chamado “lacfree”, acabei aparecendo como curioso e não sabia que iria encontrar pessoas que hoje me relaciono diariamente. Foi nesse evento que descobri que tinha um sistema operacional voltado pra multimídia, o DeMuDi. Participei da oficina de Felipe Machado e Neilton na época e levei o cd pra instalar. Rolou bonito o Fluxbox e alguns softwares como o zynaddsubfx e o pd(na época não sabia pra onde ir…) A partir disso comecei a me perder dentro desses softwares livres multimídia e comecei a produzir sample, bases, efeitos, tudo meio como banda de garagem, sem objetivo nem compromisso. Depois dessa primeira fase, acabei conhecendo o coletivo Estúdio Livre, onde vi que tinha muito mais gente nessa mesma pegada. Todo esse histórico também acabou trilhando um caminho diferente na Universidade, buscando sempre entender a prática como matriz do processo de aprendizagem.

Muito do caminho que segui tem a ver com esse histórico: dificuldade em encontrar os caminhos, prazer na descoberta e desprendimento na prática.

Meu interesse nos sistemas colaborativos são de integração dessas experiências imersivas locais e em rede para encontrar novos caminhos de desenvolvimento sustentável das ações do cotidiano.

Todas essas práticas que costurei, serviu como base para criar e pesquisar novos experiências em rede com softwares livres e entrar em contato com pessoas que tenham histórias interessantes de vida.

O hardware livre veio nessa leva, depois do Pure-Data, acabei conhecendo o Arduino e depois ví que o projeto Arduino era só mais uma das possibilidades de produção de hardware livre.

Não sei se o termo Cultura Livre resumiria essa minha experiência de vida. Talvez seja um bom termo por usar a mesma estrutura gramatical das outras ações consolidadas (software livre, hardware livre…)

estrutura

Você considera-se um artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas parece estar interessado em ir além. Que circuitos são estes?

Acho que os termos e especialidades resumem muito o que a pessoa faz e o caminho que ela segue no cotidiano. Cientista, Artista, Pesquisador, Ativista, Cidadão Comum, acho que vários nomes seria mais honesto.

Os circuitos artístico emergem da necessidade de se relacionar com outras pessoas que estão produzindo outras ações e que podem se conectar de alguma forma. Acredito que quem está na produção exclusiva para aparecer em espetáculos e salas de museu está fadado a se engessar. Meu interesse nisso eu já comentei: me relacionar com outras pessoas, idéias e histórias que possam criar uma sinergia com as ações cotidianas.


O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Hoje eu vejo esse mapa padrão que a gente conhece como um decalque daquilo que não é só as linhas e formas que a gente acredita pertencer. As fronteiras hoje não são mais físicas, o fluxo de conexão se fortalece com as energias das idéias e pertencimento das coisas, seja em qualquer nível.

acumpuntura

O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

A ciência está aí para ser utilizada e hackeada. Quando penso em ciência penso em exatidão. Mas ciência não pode ser só isso, é um conjunto de possibilidades de conhecimento sobre alguma coisa. Quem tem ciência sobre uma cultura local é o próprio povo que vive aquela ciência, não aquela verdade absoluta dos livros e universidades. A ciência não pode ter apenas um fluxo, são infinitos caminhos para entender as ações, as práticas, as coisas.

O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Acredito que uma boa prática é criar conexões locais para levar toda essas experiências de produções simbólicas para lugares que tenham interesses em se convergir suas experiências e criar novas ramificações culturais a partir dessas ações. O fortalecimento da rede precisa ser em todos os níveis. Não apenas nos avatares conectados, mas nos ossos e carnes que estão ao nosso redor.

bancada

O que é MSST?

O movimento dos sem satélite é uma das experiências mais marcantes de se conectar em rede e trocar valores e saberes utilizando essas metáforas cotidianas. A tag satélite pra mim tem a ver com afeto, não apenas uma junção de ciência e provas de conceitos. Os sem satélites estão aí, no dia-a-dia, batalhando cada centavo para se sustentar nessa parafernalha burocrática e privilegiadora de superficialidades.
A marcha dos sem satélite não pára,… e o caminho sempre vai ser o da fuga.

escaleta

Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

Ainda precisaria de muito tempo pra elaborar essas perguntas.

apenas

tudo

transforma

de alguma forma

-==-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

acreditar no trabalho

transforma

continuar o trabalho

transforma

][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][][

um palito que você mexe

um chip que você dechava

um dedo que se queima

a toda hora

))()()()(()()()()()()()()()()()()()()()()(

cair da bicicleta...

também transforma
dealgumaforma.

}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{

][][][[][][][][][][][[][][][][][][][

cartaz

beta