Como começou seu trabalho com software livre? Qual seu interesse atual neste sistema colaborativo? Que você acha do hardware livre? Que acha do termo “cultura livre”?

Faz sete anos que conheci esse outro lado. Vejo o software livre como uma dobra e as dobras por si sempre me conquistaram. Na UFPE,onde cursei Artes Plásticas, um professor de comunicação e expressão trouxe a tona a questão da troca de conhecimento e programação artistica, quando propos que nós, os carneiros estudiantes, realizassemos nossas obras a partir daquele conceito. De lá em diante foi puro amor, puro envolvimento. Seres abertos, seres pensates e incomodados estão nesse meio.

Você considera-se uma artista? De alguma forma você interage com circuitos artísticos, mas parece estar interessada em ir além. Que circuitos são estes?

Acho uma tolice se colocar como artista. Eu não me considero artista, e não quero ser artista. Vejo artistas como gotas de oleo na agua. Procuro estar longe dos circuitos artisticos, pois acho altamente prejudicial. Prefiro estar entre amigos.

O que você pensa sobre nossa localização nos mapas? É possível identificarmos um fluxo comum de pessoas que vão além de nacionalidade e fronteiras interagindo – como é possível reconhecer-nos?

Sinto uma tristeza quando vejo nossa localização, acho que deveriamos ser pontinhos instalados nos outros países, com portas secretas e subterraneas. Já que não somos, tentamos ser, por meio do fluxo que circula entre nós. Esse fluxo é gerado por pessoas que não acreditam no conceito de identidade, afinal de contas, você é mais do que a língua que fala

gambiologia

O que é a ciência hoje? Como ela pode ir além das idiossicrasias culturais e lingüisticas de cada localização geográfica? Como ela pode ir além dos interesses geopolíticos e corporativos da globalização alienadora de subjetividades?

A ciência somos nós. Por meio de produções onde todos tem espaço, onde cada um com seu entendimento consegue se adequar e conhecer outras estruturas. Trabalhar nas brechas das coorporações de forma intuitiva é ir além.

O que podemos pensar para além da Internet? Que tipo de práticas poderiam estimular um melhor entendimento de nossa condição atual de criadores de redes e criadoras nas redes?

Podemos pensar para além da internet beijos e abraços sem fim, afetos dignos de cada palavra digitada e relações que utilizam a internet como potencializador de cada pelo. Humildade para entender que não somos criadores, humildade para enxergar que não temos cria. O que é meu é seu, possibilitando que eu não tenha. Não deixe eu me apegar aquilo que começo, pois quero que você também comece, e se me apego nunca solto.Ser humano, ser bicho.


carta

O que é MSST?

Acho que é essa é a melhor pergunta até agora. MSST é um encontro. Sem Satelite somos cheios de pretensões, cheios de sonhos que nunca tem fim, pois estamos juntos. MSST é uma possibilidade, é uma brecha. MSST é uma bussola quebrada. Eu amo o MSST.

Que perguntas o MSST deveria fazer pra sociedade?

O MSST .: Afinal de contas meu amigo, como você sabe o que te guia? Qual é o real motivo de você não tocar o desconhecido? Como MSST proponho que você fale todas as palavras mais chulas do universo. Vamos fazer uma sessão descarrego de madrugada? Pegue um ônibus de madrugada e encontre os amigos. Vamos fazer da angustia nossas produções? Você se considera corajoso(A)? Justifique sem pleonasmos. Aloha sempre. >

maca