Futuro do Presente Tenso
Feb 18th
Numa postura atrofiadora das costas e destruidora de tendões eu digitava com aquele teclado no colo logo depois de ler sobre um sussuro que um amigo teria dado num daqueles milhares de eventos que aconteciam pra tentar definir políticas públicas para as novas mídias dentro do território que eu habitava. Vários termos já haviam sido cooptados apesar de ainda resistirem como gíria em alguns guetos: “metareciclagem”, “gambiarra”, “submidialogia”, “hacker”, “digital”… Claramente uma nova ordem econômica estava em jogo e a cotação do Real flutava naquelas telas, a cada nova mensagem postada em redes sociais e listas de discussão e o entreato de alguem sacar, gastar, ganhar ou depositar dinheiro no banco era pura informação gerando ação cotando informação, um círculo em espiral que no limite toca tangencialmente o inicio de uma outra espiral em outro eixo de desejos, fome, prazer e dor . Meu amigo sussurava “contraculturadigital” como um novo mantra por vir, e eu novamente pensava – se a contracultura da cultura “não-digital” não foi capaz de nos localizar como terra cultivada e cultivável, considerando que essa é uma palavra latina que perdura por dentro desta língua aqui articulada como afirmação de continuar a “cuidar da terra”…pergunte: Que terra? Mapas e mapas, letras e textos tentando traduzir pensamentos, e nós aqui, tentando superar o alfabeto latino. Cultura ou Contra-Cultura ainda não foi capaz de superar o status civilizador e opressor desta como matriz sintética de uma identidade artificial construída por uma elite que procura dominar o colheita desta lavoura, deste lavoro, deste labor. Desejo, fome, prazer e dor. Ansiedade. Pertencer a uma Cultura? Pertencer ao Digital? Inclusão no digital ou do digital na cultura da lavoura? Cultivo do território digital? Desterritorialização do digital para fora da sua digitalização. Conversão Digital-Análogico. Transformação de linguagem em energia. Analogia.
Novo Parágrafo? Pula uma Linha? Ou Duas? Dois dígitos são suficientes pra construir nossa linguagem. Oráculo do momento. Tecle enter.
Meu amigo me disse – ei vamos guardar isso para uma provocação mais eloqüente a uma suposta elite que constrói termos para esta suposta cultura que na verdade é o cercadinho de mais uma lavoura! Mas ei, já existe um tubérculo cultivável ali, uma raiz amarga, crescendo como praga, sub sub cultura fértil, contra cultivo, consumo imediato, anti-economia de especulação de estoque, ao alcance das mãos, caçadores coletores, circulando num buraco sem fundo do efeito colateral do adubo ,sem formas fixas e sem acumular nossa valia++, surplus+value, 剩余价值 .Você vai continuar articulando este alfabeto latino? Gutemberg e suas bíblias, ei digital, olha eu aqui em papel impresso, agora favor me esculpir em bronze, deixemos então pra depois a contracultura da digital matriz de mistérios, ministérios, surfando o livre-mercado das livrarias, editoras e aqueles cafés de shopping. Alô, sebos camaradas, digitalizai toda samizdat comida por traças, dicionários perdidos para novas rotas. Ei amizade, tem algo mais eloqüente do que fumar agora mesmo essa página de livro, com aquele fumo que você viu nascer? Uma baforada na minha cara, na dela, na dele, nessa nossa cara, obviamente nossa, construída sem um codex de textos canônicos, dum folclore pária e sem povo massificadamente aculturado por um cultivo de identidade de massa, mas um repertório de códigos que mantiveram a rede aberta e o verbo solto apesar de flamejante.
(continua…impresso!…impressões:)
Ok. Você não me fumou. Não me consumiu. Um bom começo. Uma idéia pra um fim. Fim da nossa cultura. Início de uma nova lavoura. Pra que continuar escrevendo? Mais páginas, mais laudas? Nessa parte você me diz quantas. Gambiarras de outra Submidialogia. Submidiasofias. Submidiarragia. Quantos Lances de Dados.
for (;;;)
{
/* além desse comentario, iremos inserir algo mais relacionado com esta sua ansiedade de criar, manter e mimar mundos – idéias não são perigosas até que se tornem ações – e todas ações são potencialmente perigosas – responder seria agir */
}
O 3o. Pólo
Feb 6th
“definitivamente não é uma pílula transcendental de experiência religiosa barata,
Uma pílula que não me liberta da ilusão da realidade
mas uma pílula que me permite não uma realidade por trás da ilusão
mas a realidade na própria ilusão
Se algo nos aparece como extremamente REAL
tão REAL que torna-se tão dramático, tão intenso, tão desagrádavel ou então tão cheio de deleite que torna-se tão destruidor dos pilares de nossa realidade que nos obrigamos a ficcionar sobre este algo.”
(zizec)
Ψpolar Ψυχοπολις é mais que 2π
Feb 2nd
e de resto saí linkado
sai sofrendo
se perdendo
ontem não era por aqui
hoje talvez
tal
x
tal a,
talmudo
codex dos ritmos felizes
irritantes para os tristes querendo sorrir por outros motivos
letras
edições inéditas
direitos de uso
fair use
cópia direta
direita
sinistra
ninguém é dona das águas
não há o baque virado
nem solto
nem sinos
que dobrem
a curva
desta faísca
lesão
efeito repetitivo
rss
imagem fora da tela
fora da porta
beija a lama
e escute





